no R7, dia 7 de maio de 2010
24/05/2010 ás 6:38 pm | Na categoria Uncategorized | Publicar um comentárioComentário: Arrastada, Viver a Vida traz os personagens mais “sem vida” de Maneco
Helena chata e propagandas excessivas fazem ritmo da novela piorar a cada dia
É curioso lembrar de como foi o início de uma telenovela quando ela está chegando ao fim. Essas tramas tão tipicamente latino-americanas acompanham nosso cotidiano de forma tão intensa que, quando chegam ao fim, podemos analisar seus personagens como analisamos aqueles colegas de trabalho ou estudo que conhecemos seis meses atrás, e em relação a quem nutrimos, voluntariamente ou não, as mais diversas expectativas.
Será que elas se confirmaram? Será que nos frustramos com eles? No caso de Viver a Vida, de Manoel Carlos, o sentimento de decepção é generalizado, e só desejamos mesmo é que a novela acabe logo.
Peguemos a suposta protagonista, Helena (Taís Araújo), como exemplo. Nunca na história das novelas de Manoel Carlos houve uma Helena tão chata e afetada quanto essa. Mas quando a novela começou isso era apenas uma suspeita, afinal, bons telespectadores que somos (os brasileiros), tínhamos esperanças de que a moça tomasse jeito, amadurecesse, arrumasse um bom partido… Mas não: ela se casou com o maior galinha da trama (Marcos/José Mayer); cresceu o olho em cima do Bruno (Thiago Lacerda) logo em seguida; causou o acidente da Luciana (Alinne Moraes); fez futrica com a ex do marido, Tereza (Lília Cabral); e ainda saiu no tapa com Dora (Giovanna Antonelli), mas aí foi merecido mesmo.
Nunca na história das novelas de Manoel Carlos, tampouco, houve tanto merchandising constrangedor durante as cenas. Não há biscoitinho, celular ou batom em que as personagens ponham a mão sem que junto levemos na cara uma propaganda mal-encaixada, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Muitas vezes as cenas parecem ter sido escritas com o único propósito de encaixar um “merchã” no meio, uma coisa estapafúrdia e completamente desnecessária. Será que o autor não percebe que isso queima o filme? Será que a produção de maior audiência da emissora realmente precisa de tantos merchandisings?
A partir disso, chegamos a outro ponto esdrúxulo de Viver a Vida (e das novelas contemporâneas em geral): o excesso de personagens inúteis. Viver a Vida tem um “mininúcleo” que é um exemplo assustador disso: o restaurante Gengibre, cujo dono, Bernardo (Bruno Perillo), quase não aparece (mas ele tampouco importa). É sua namorada, Clarisse (Cecília Dassi), quem protagoniza juntamente com suas amiguinhas as cenas mais sem pé nem cabeça da novela, cujo propósito é um enigma. Ela e as colegas parecem simplesmente comentar os acontecimentos dos outros núcleos da novela, que, por sinal, também não são nada interessantes. Isso é para você, leitor, ter uma ideia da vida que eles andam “vivendo” na novelinha.
Há (poucas) exceções, é claro. Viver a Vida, com sua trama paralisada, sua falta de ritmo, seus personagens sedentários e tagarelas, não é um exemplo digno do trabalho de Manoel Carlos, autor de deliciosas histórias burguesas-cariocas como Por Amor, Laços de Família, Páginas da Vida, Felicidade… A grande Lília Cabral, que em Páginas da Vida encarnou Marta, um dos personagens mais extraordinários dentre todas as novelas de Manoel Carlos, não consegue se livrar da imagem de canastrona na pele da desocupada ex-modelo Tereza. Mas Natália do Vale, por outro lado, tem protagonizado as melhores cenas da trama na pele da inconformada Ingrid (a recente briga entre ela e Tereza, por sinal, foi um show de talentos e um momento de frescor para Lília).
Luciana, que acabou por virar a “Helena” de Viver a Vida, tem se mostrado uma boa atriz, mas ainda precisa aprender a controlar o histrionismo. Mateus Solano (Miguel/Jorge), então, nem se fala. É irritante o “bom-pracismo”, a simpatia exacerbada de Miguel, assim como é um artificial o mau-humor ininterrupto de Jorge.
José Mayer é um enigma: o ator é realmente um canastrão irrecuperável ou, lembrando de alguns de seus bons papéis no passado, é Marcos quem pede aquele constante ar de cafajeste? Fica a dúvida.
Bruno (Thiago Lacerda) nem mereceria comentários, mas lá vai: ele é o par perfeito para Helena, já que, como ela, beira o insuportável, com aqueles sorrisos exagerados, aquele amor exagerado, aquele bom-mocismo exagerado, enfim, ele é realmente um saco.
Pra acabar: os melhores momentos de Viver a Vida têm ficado a cargo de seus vilões, e mesmo assim está difícil acompanhar a novela todos os dias. Ritmo arrastado, muito falatório, atuações fora do tom… nem o charmoso, idílico, bossa-novístico e sempre rico Leblon de Manoel Carlos faz mais sentido (as piadas do programa Casseta & Planeta com os cafés da manhã caríssimos e exagerados da novela fazem todo sentido).
Viver a vida é isso? Esse povo precisa levar uns chacoalhões pra aprender a viver a vida de verdade. Não é à toa que está todo mundo esperando o início de Passione, de Silvio de Abreu. Agitação, São Paulo, italianês, movimentação, luxúria e intriga! E chega de Leblon.
Deixe um Comentário »
RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI
Deixar um comentário
Blog em WordPress.com. | Tema: Pool por Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.