no R7, dia 2 de maio de 2010
24/05/2010 ás 6:33 pm | Na categoria Uncategorized | Publicar um comentárioOtimismo e quebra de tabus amorosos marcam o novo filme de Woody Allen
Em Tudo Pode Dar Certo, o diretor americano cria uma ciranda amorosa sem preconceitos
- Minha história é: qualquer coisa que funcione. Contanto que não machuque ninguém. Contanto que você possa tirar um pouco de alegria desse mundo cruel, sem sentido, desse caos. Essa é a minha história.
Começa assim, com Boris Yelnikoff (Larry David) falando com a câmera (e conosco, telespectadores), o novo filme de Woody Allen em cartaz nos cinemas, Tudo Pode Dar Certo, cuja tradução errônea para o português tira o sentido da frase acima, dita pelo rabugento Boris em um inesperado momento de otimismo: “qualquer coisa que funcione tá valendo!”, ou algo assim.
Voltando para casa, Boris topa com Melody (Evan Rachel Wood) dormindo na calçada. A ninfeta sulista e ingênua pede algo para comer, um lugar para ficar… e em pouco tempo estará morando com Boris e casada com ele (alguma lembrança do gosto de Woody Allen por garotas novinhas, quase meninas? Lembremos do filme Manhattan, ou melhor: lembremos da própria vida do diretor).
Boris é uma versão mais mal-humorada e sarcástica do personagem típico de Allen, quase sempre vivido por ele mesmo em seus filmes. Aqui, o alter-ego do diretor é um físico aposentado manco e solitário, divorciado da primeira mulher e vivendo sozinho no centro de Nova York. O aparecimento de Melody, então, será o motivo das mudanças que passam a acontecer em sua vida monótona e repetitiva como professor de xadrez para crianças nada entusiasmadas.
- No fim, as aspirações românticas da nossa juventude são reduzidas ao que pode dar certo.
A expressão em inglês que dá nome ao filme, Whatever Works, acaba sendo usada por Boris para o bem e para o mal. Do tipo: a gente se adapta ao que pode dar certo, àquilo que funciona. O que é bom. Mas muitas coisas em nossa vida também se resumem só àquilo que funciona, a qualquer coisa. O que é ruim. Confuso? O pensamento de Boris, esse velhote “louco” que fala para uma câmera imaginária, é uma confusão, acredite.
A história toda começa a mudar com a chegada de Marietta (Patricia Clarkson), a aparentemente careta mãe de Melody que vem do sul buscar a filhinha. Em pouco tempo, porém, um amigo de Boris descobre seu talento como fotógrafa, incentiva a atividade e abre um novo mundo para ela. Logo vemos Marietta completamente mudada, fazendo sucesso como artista e vivendo com dois homens. E Allen quebra mais um tabu nas relações: a poligamia bem-resolvida.
Chega então o ainda mais careta John (Ed Begley Jr.), pai de Melody, em busca de sua filha. E rapidamente Woody Allen tira o velho sulista do armário e John começa a namorar um homem, amigo de Boris e da atual fotógrafa e ex-mulher, Marietta.
Melody acaba se separando de Boris (desde o início do filme um casamento que parecia fadado ao fracasso, dado o gênio “difícil” do protagonista) e se rende aos encantos e às investidas do lindo e jovem Randy (Henry Cavill). E, para fechar o “círculo” amoroso, Boris tenta se matar pulando da janela (pela segunda vez, já que ele ficou manco quando tentou pela primeira), cai em cima de uma mulher, não morre (novamente) e eles se apaixonam.
E, depois de todo esse “troca-troca”, dessas histórias de amor em princípio inverossímeis e meio absurdas, o filme termina divertido e bem mais otimista (na medida do possível) do que começou. Dando a mensagem (a quem quiser captar) de que o que importa mesmo na vida é ser feliz ao lado de alguém. O que importa mesmo, para Woody Allen (e para o mundo), é o amor. Ou, como repete Melody, boa aluna que é, no meio do filme:
- Pessoal, como Boris diria: qualquer coisa que dê certo!
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